sexta-feira, 22 de junho de 2012

The Gambah Saga, parte 2 - Gênese do Esquadrão

Gamarra
No início de 1998, o Corinthians fez três contratações que seriam vitais para o que aconteceria nos três anos seguintes. Repatriou os desconhecidos Vampeta e Ricardinho, vindos da Holanda e França respectivamente e trouxe o zagueiro paraguaio Carlos Gamarra, que já tinha a fama de ser um dos melhores do mundo. Aliás, Gamarra estreou em um amistoso contra a Ponte Preta e fez o gol corintiano no empate por 1 a 1. Vampeta, por sua vez, veio como solução para o problema crônico da lateral-direita do time que, por anos não teve um jogador à altura.
Essas não foram as únicas mudanças feitas por Wanderley Luxemburgo. Depois de uma briga, afastou um dos goleiros mais emblemáticos da história do clube, Ronaldo. Pouco tempo depois, o jogador foi negociado e nunca mais voltou.
Aos poucos, o time foi apagando a horrível imagem deixada no final do ano anterior e foi se encaixando. No Paulista, teve uma campanha regular, terminando como primeiro de seu grupo. Foi na primeira fase desse campeonato que fez um derby que entraria para a história devido ao gol contra marcado pelo atacante palmeirense Oséas no empate por 1 a 1. Na Copa do Brasil, foi eliminado pelo Cruzeiro, outro papa-títulos do torneio nacional.
A semi-final do Campeonato Paulista foi disputada contra a Portuguesa - naquela época, a Lusa ainda era considerada como a quarta potência da Capital e quinta do estado. Na segunda partida, com a vantagem do empate, o Corinthians ficou atrás do placar duas vezes, empatando ambas através de pênaltis polêmicos marcados pelo árbitro argentino Javier Castrilli. Rincón converteu a segunda penalidade e, com o empate por 2 a 2, o Corinthians foi à final contra o São Paulo.
Apesar de estar invicto na competição, a campanha corintiana não foi a melhor, já que empatou muito. Começou o primeiro jogo da final em desvantagem, mas jogando ligeiramente melhor, venceu o São Paulo por 2 a 1 e tomou para si a vantagem de jogar pelo empate na segunda partida. Entretanto, o excesso de confiança corintiana aliado à motivação extra do São Paulo devido ao retorno de Raí culminou na vitória tricolor no domingo seguinte. Um incontestável 3 a 1. Apesar do vice-campeonato, o Paulistão serviu para aquele time dar liga e (talvez) aprender com os próprios erros.
Veio o Brasileiro, competição mais importante do ano e já na estréia o Corinthians provou que estava forte: venceu o Vasco da Gama no Rio de Janeiro com um gol solitário de Marcelinho. O talento do zagueiro Gamarra também foi vital naquela partida, já que tirou a bola de cima da linha do gol por duas vezes.
Aqueles foram dias de jogos memoráveis. Ainda no início do campeonato, o Corinthians foi a Belo Horizonte e disparou uma goleada de 5x1 no Atlético Mineiro. Outras partidas merecem destaque, como a contra a Ponte Preta. O Corinthians vencia fácil e Luxemburgo em um excesso de soberba queria mais e tirou o grandalhão Gilmar Fubá para colocar o habilidoso Ricardinho. A alteração não surtiu o efeito desejado e a Ponte encostou no placar: resultado final, 5 a 4 para o Corinthians. Luxemburgo disse no final da partida que tinha aprendido a lição.
Outra partida importante foi contra o Vitória em Salvador, no qual Ricardinho marcou o gol decisivo depois dos 50 minutos do segundo tempo. Placar de 3 a 2 com a cara do Corinthians clássico.
Falei o termo "clássico" na linha acima porque essa foi a primeira vez na História que o alvinegro tinha um time em que a técnica superava a raça. Toda a classe de Gamarra na defesa, a dupla de volantes de respeito com Rincón e Vampeta, o meio com o ídolo Marcelinho e a velocidade de Edilson no ataque. Faltava um goleiro de nome - Nei era bom, mas não contava com a confiança integral da torcida - e um centro-avante matador. Didi perdia muitos gols fáceis e Mirandinha já não vivia sua grande fase de um ano e meio antes.
Até o final da primeira fase, o Timão ficou praticamente todo o tempo em primeiro lugar. Deve ter perdido o posto talvez duas ou três vezes, mas garantiu a ponta da tabela na última rodada, em uma vitória suada sobre o América/RN por 2 a 1 em São Paulo. Era notadamente o melhor time do campeonato, mas Palmeiras e Cruzeiro também estavam na briga.
Naquele ano, a fase final não se resumia a uma chata fase de grupos ou a um comum "oitavas-quartas-semi-final". O mata-mata era disputado no melhor estilo NBA, nos play-offs, em uma melhor de três jogos. O primeiro colocado Corinthians enfrentou o algoz dos dois anos anteriores, o Grêmio de Porto Alegre. Na primeira partida, no Sul, surpreendente vitória corintiana por 1 a 0 com um golaço de Rincón de fora da área. Quem pensou que seria fácil se enganou quando o Grêmio venceu o segundo jogo, dessa vez em São Paulo por 2 a 0. Pela primeira vez naquele ano o Timão jogaria com a pressão de ter de reverter um resultado. Em um dos jogos mais difíceis daquela temporada o Corinthians venceu com um magro 1 a zero com um gol sofrido de Edilson.
O próximo desafio era um clássico contra o Santos de Viola. Na Vila Belmiro, o Corinthians abril o placar logo aos dois minutos de jogo, com um gol de cabeça de Gamarra. Contudo, o Santos é sempre forte em casa e virou o placar. No segundo jogo, um verdadeira atuação de gala corintiana no Morumbi e vitória por 2 a 0. Na terceira partida novamente  Edilson decidiu e marcou no tenso empate por 1 a 1. Na outra semi-final, o Cruzeiro bateu o Palmeiras.
O time mineiro também tinha um ótimo time. Dida no gol, Marcelo Djian na zaga, Fábio Junior, Marcelo Ramos e Muller no ataque.
No primeiro jogo da final, em BH, o Cruzeiro foi com tudo pra cima e abriu 2 a 0 no placar. No entanto, Dinei entrou no segundo tempo e mudou a história do campeonato. Fez um gol e deu passe para outro. 2 a 2 e tudo indefinido para os dois jogos finais.
O Corinthians jogou mais no segundo jogo, mas teve um gol mal anulado pelo árbitro e o resultado de 1 a 1 teve sabor de derrota. Para o gol de Marcelinho naquela partida, nova assistência de Dinei, que também havia entrado na etapa final.
Edilson
O equilíbrio voltou a dar as caras no último jogo do Brasileirão de 1998. A definição do campeão começou aos 25 do segundo tempo, quando Dinei deixou Edilson cara a cara com Dida e o atacante não desperdiçou. Aos 36, o Timão pôs a mão na taça depois de um cruzamento de Dinei que Marcelinho completou de peixinho. Com 2 a 0 no marcador e a vantagem do empate, o Corinthians só precisou deixar o tempo passar.
Naquela tarde de 23 de dezembro de 1998, o Corinthians conquistou seu segundo título brasileiro.
No próximo post: o melhor ano da história do Corinthians, o início do trauma da Libertadores e o jogo das embaixadas.

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