quinta-feira, 21 de junho de 2012

The Gambah Saga - Primeiros Erros

Não sou um cara romântico que ache que uma torcida seja mais apaixonada pelo seu clube do que a outra. No geral, a relação entre clubes de futebol e seus respectivos torcedores são iguais. Talvez o que mude aí seja como determinado time é visto pelas demais pessoas. E é nesse exato ponto que o Corinthians é diferente. Talvez seja o único clube no mundo que, ou você ama ou você odeia.
Acho que a palavra amor é muito poderosa para ser usada para um simples clube de futebol. Pessoalmente e me refiro somente a mim, acho que se for para eu amar algo, que seja uma mulher.
Mas sou corintiano e sempre serei. E ser corintiano é ser diferente dos demais torcedores, não porque a adoração pelo clube seja maior, mas porque o Corinthians é peculiar à sua maneira. Pode até não ser o maior campeão de todos os tempos do futebol brasileiro, mas é de longe o mais folclórico, o que movimenta a mídia, o que mais mexe com a cidade. O que tem a própria história recheada de ironias.
O primeiro jogo que tenho na memória envolvendo o Corinthians é a final do Campeonato Paulista de 1993. Lembro que ouvi o primeiro jogo da decisão pelo rádio, e me recordo do gol de Viola que decretou a vitória alvinegra por 1 a 0. Na comemoração, o atacante corintiano provocou o rival imitando um porco. A brincadeira mexeu com os brios do arquirrival e na segunda partida o Palmeiras massacrou o time do Parque São Jorge. 4 a 0.
Depois da Copa do Mundo de 1994, aconteceu uma nova decisão com o maior clássico do planeta. Só que dessa vez o título que estava em jogo era o do Brasileirão. Não foi dessa vez que a revanche aconteceu e, pra piorar, o Palmeiras liquidou a fatura logo na primeira partida: 3 a 1. Como eu era moleque e ainda não sabia de muita coisa, assisti à final achando que o Corinthians ainda teria alguma chance. De fato, Marques abriu o placar para o Timão já com um minuto de jogo, mas Rivaldo empatou e levou o Palmeiras ao bicampeonato.
Pelo fato de ter perdido meus dois primeiros derbys já novo, fiquei com um injusto complexo de inferioridade em relação ao Palmeiras. Tal sentimento só foi superado em tempos recentes, principalmente por causa da draaaaga que o time alviverde tem vivido no que se refere a títulos.
No ano seguinte, eu veria meu time ser campeão pela primeira vez. Não apenas isso, mas o Paulistão daquele ano foi ganho em cima de quem? Deles, é claro. Depois de um empate na primeira partida em 1 a 1, o Timão abriu o placar com um gol de falta de Marcelinho na segunda partida. Nilson empatou, mas na prorrogação o atacante Elivélton acertou um pombo sem asa e o Corinthians venceu por dois a um.
Foi em 1995 também que o Timão pela primeira vez foi campeão de um dos seus torneios favoritos, a Copa do Brasil. Da campanha, lembro apenas do empate na estréia contra o Operário-MT fora de casa e, é claro, da final. No primeiro jogo, em São Paulo, o Corinthians venceu o Grêmio - um dos especialistas em vencer a Copa do Brasil - por 2 a 1. No jogo de volta, vitória em pleno Olímpico por 1 a 0, gol de Marcelinho.
Em 1996, ninguém foi páreo para o Palmeiras no Campeonato Paulista. No derby, empate por 2 a 2. Foi nesse campeonato que Marcelinho fez seu gol mais famoso contra o Santos em plena Vila Belmiro.
Na época, apesar de ser um sonho de consumo depois dos dois títulos do São Paulo no início da década, a Copa Libertadores ainda não era a obsessão que se tornaria na década seguinte. Lembro que, na primeira fase, o Corinthians caiu no grupo do Botafogo, Universidad Católica e Universidad de Chile - um dos possíveis adversários do Timão na final de 2012. Apresentando um bom futebol, o Corinthians terminou a primeira fase como primeiro do grupo e enfrentou o Espoli do Equador nas oitavas-de-final. Passou fácil com duas vitórias (3x1 e 2x0). Nas quartas, a revanche do tricolor gaúcho. Em uma pane total do alvinegro paulista, o Grêmio meteu 3x0 em São Paulo e praticamente garantiu a eliminação do Timão. Na volta, a vitória por 1 a 0 do Corinthians - com gol de Edmundo no final do jogo - não foi suficiente para mudar a sorte corintiana naquele ano.
Pelo Campeonato Brasileiro, uma campanha irregular marcou a trajetória do Timão, que sequer se classificou para a segunda fase.
1997 foi um ano de contradições para o clube do Parque São Jorge. Enriquecido pela grana do patrocínio do Banco Excel, no primeiro semestre o Corinthians do técnico Nelsinho Baptista montou um time competitivo e faturou o Paulistão mais uma vez. Destaque para as vitórias sobre o Palmeiras por 5x2 e sobre o Guarani por 8x2. No quadrangular final, vitórias sobre o Santos (4x3) e Palmeiras (2x0). No último jogo, com a vantagem, faturou o título empatando em 1x1 com o São Paulo, com gol do ex-sãopaulino André Luís.
Na Copa do Brasil de 1997, o Corinthians teve uma boa campanha até a semi-final, com destaque para a goleada sobre o Atlético Paranaense por 6x2 em Curitiba, depois de ter perdido o primeiro por 2x1. Nas semi-finais, nova pane corintiana em São Paulo e eliminação, de novo, para o forte Grêmio de Porto Alegre.
No segundo semestre, o Timão teve uma campanha horrorosa no Brasileiro, sendo ameaçado pelo rebaixamento até as últimas rodadas. Wanderley Luxemburgo foi contratado e salvou o time da queda, com duas vitórias nas rodadas finais, sobre Flamengo e Goiás. Foi um fim de ano melancólico, mas marcou o início da montagem daquele que viria a ser o melhor Corinthians da história.
No próximo post, vou falar sobre o esquadrão montado por Wanderley Luxemburgo e de como, no final da década de noventa, o Corinthians fez sua torcida ficar mal-acostumada a títulos.

4 comentários:

Anonymous disse...

Me diga uma coisa...você se lembra mesmo de tudo isso, ou tem tudo anotado? se você se lembra é pq puxou a mim, só pode...

Lígia Tebcherani

Augusto Fernandes Sales disse...

Tudo isso aí é de memória mesmo. Foi um dos textos mais rápidos que já escrevi aqui no blog.

Anonymous disse...

Eu hoje almocei...hum...peraí...eu acho que nem almocei..."p" mente privilegiada! Em pensar que um dia eu também me lembrava de tudo, com o passar do tempo, não sei se a gente vai se esquecendo mesmo, ou faz questão de não lembrar de muitas coisas. As duas coisas, talvez. Parabéns!
Ligia

Augusto Fernandes Sales disse...

Acho que você falou tudo quando disse "faz questão de não lembrar de muitas coisas". EU me lembro bem dessa época porque foi uma época bem legal em muitos aspectos. Muita coisa do que aconteceu depois, em tempos mais recentes, eu não lembro.

Sei lá.