sexta-feira, 26 de outubro de 2012

East of Eden

Inicialmente, tive a clara certeza de que detestaria o oscarizado Vidas Amargas (1955), o primeiro filme que assisto dirigido pelo cultuado Elia Kazan e estrelado pelo mito James Dean. Já passei por isso antes, essa coisa de criar expectativa apenas pela fama de um título e depois me decepcionar totalmente - os melhores exemplos que posso me lembrar são Sindicato de Ladrões e Um Estranho no Ninho.

De fato, o começo é um pouco lento demais, com as falas se arrastando na mesma proporção da talvez excessiva expressão corporal presente em produções da década de cinquenta. Contudo, isso não se deve à uma possível qualidade questionável do filme de Kazan, mas sim ao próprio estilo da época.

E não é que no final das contas eu gostei?

Vidas Amargas, adaptação do romance de John Steinbeck tem bastante profundidade, mas nada excessivamente meloso ou filosófico. Os conflitos humanos mostrados na história são bem plausíveis, do tipo que a maioria das pessoas já presenciou, de perto ou não.

Basicamente a trama gira em torno das relações entre o "quarteto" de protagonistas, sintetizados por um pai viúvo, seus dois filhos de personalidades distintas e a namorada de um deles. Na verdade, o ponto central é a busca de Cal Trask (o filho malvado) pelo real paradeiro de sua mãe, em busca da origem da sua personalidade, que destoa do restante da família. Com isso, Cal busca respostas e uma saída para a sua própria malvadeza.

Por um tempo, o personagem de Dean realmente consegue sua redenção. Mas fatos externos, além da própria carência de Cal fazem com que sua verdadeira e pura natureza venha à tona. E isso, como acontece na vida real, sempre traz consequências nem sempre agradáveis a todos ao redor.

Embora tenha aprendido a ver filmes da década de cinquenta com bastante cautela, Vidas Amargas me surpreendeu, principalmente por não ser o que eu chamo de uma história "cabeçuda" demais. Mas também não peca pela superficialidade.

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