sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os melhores filmes de terror de todos os tempos

Vi, há poucos instantes, o trailer do quinto filme da franquia Atividade Paranormal. OK, não vou dourar a pílula: parece ser uma porcaria de primeira! Eu seeeeeeeeei, no mundo da cultura pop o que manda são as cifras milionárias de bilheteria - o que é perfeitamente natural - mas sempre penso que se o primeiro filme não tivesse tido nenhuma sequência, teria se tornado um clássico instantâneo. O segundo até que quase conseguiu manter o nível do primeiro (eu disse QUASE!) mas, a partir do terceiro filme, simplesmente cagaram na série. Pelo pouco que eu vi do trailer do próximo, que tem data de estréia prevista para janeiro de 2014, tem tudo para ser o pior e mais absurdo de todos.

Seja como for, decidi fazer esse post com os meus filmes de terror favoritos de cada década, contando a partir dos anos setenta. Até pensei seriamente em incluir Psicose na lista, mas o vejo mais como um puta suspense do que como filme de terror propriamente dito. Explicando melhor do motivo pelo qual faço essa divisão, faço das palavras de M. Night Shyamalan as minhas: "temos medo do desconhecido, medo daquilo que supostamente não deveria estar ali". Exatamente por isso é que acho que o gênero terror se aplica mais ao "capeta sem nome" de Atividade Paranormal do que à psicose (desculpe o trocadilho) do(a) assassino(a) do filme de Hitchcock.

(e só agora, escrevendo estas linhas, é que me dei conta de que o Halloween está bem próximo. nada mais adequado do que um post desse tipo, então...)

Anos 70

O Exorcista é, disparado, o melhor da década. Para alguns, o melhor do século vinte. Motivos não faltam, claro. Na época em que foi lançado, centenas de pessoas pediram ajuda à Igreja, acreditando estarem possuídas. Um expectador desmaiou durante a exibição do filme no cinema e quebrou a mandíbula ao bater no banco da frente - e processou a Warner Brothers por, supostamente, colocar imagens subliminares no filme, que teriam provocado seu desmaio.
O escritor da obra original, William Peter Blatty, baseou-se na suposta história real de um garoto de 13 anos possuído por um demônio e que teria sido exorcizado em 1949, em Maryland. De acordo com os jornais locais da época, os rituais duraram cerca de seis semanas, tendo sido concluídos em 19 de abril.
O próprio William Friedkin, diretor, pedia eventualmente ao consultor religioso Reverendo Thomas Bermingham, para que exorcizasse o set. O Reverendo nunca o fez, alegando que tal ritual poderia causar certa ansiedade em todos. Ele, no entanto, abençoava elenco e equipe.
Além disso, O Exorcista ganhou várias lendas urbanas através dos anos. Algumas delas diziam que a protagonista Linda Blair havia enlouquecido. Outras diziam que nove (ou treze, esse número variava de versão para versão) pessoas da equipe haviam morrido misteriosamente. Ainda havia a história de um incêndio no set. Muitas dessas histórias eram confirmadas inclusive pela imprensa (me lembro até hoje de uma reportagem do Fantástico de anos atrás falando delas).
Duas sequências e duas "prequelas" foram lançadas até a década passada, mas todas de qualidade infinitamente inferior ao original.


Anos 80

Um Lobisomem Americano em Londres, surgiu na mente de John Landis (diretor das comédias sessãodatardísticas Os Irmãos Cara de Pau, Trocando as Bolas, Três Amigos, Um Príncipe em Nova York, Minha Filha Quer Casar e Um Tira da Pesada 3) quando ele presenciou um funeral cigano, quando viajava pelo interior da Iugoslávia.

Nem todo mundo conhece esse filme. Ao contrário de todos os outros desta lista, Um Lobisomem Americano em Londres não parece ter sido um blockbuster arrasa quarteirão no que diz respeito à bilheteria. Mesmo assim,  falo sem medo de errar que é O melhor filme do gênero, digamos, licantropo. Nem mesmo clássicos como Bala de Prata ou as duas versões de O Lobisomem chegam aos pés dele.

Mais até do que o aspecto assustador, está bem presente o humor - marca registrada de Landis. Isso faz com que seja repleto de contrapontos cômicos, mesmo nas cenas em que devia assustar - a que se passa dentro de um cinema pornô é uma das melhores, pouco antes do clímax do filme. O protagonista David Kessler é um dos mais carismáticos em um filme de terror.
A maquiagem de Um Lobisomem Americano em Londres - cortesia de Rick Baker - foi tão impressionante na época que meio que "obrigou" a Academia a criar a categoria no Oscar. Curiosamente, Baker voltou a ganhar o prêmio em 2010, justamente em um filme do mesmo gênero, O Lobisomem, estrelado por Benicio Del Toro e Anthony Hopkins.
Há outra curiosidade sobre esse longa que pouca gente sabe: na época, ele impressionou tanto um tal de Michael Jackson que o cantor contratou Landis e toda a equipe de efeitos especiais para produzir nada menos do que Thriller, o curta musical mais famoso da história.



Anos 90

A década de noventa foi fraquinha em produzir filmes de terror. É verdade que tem ótimos thrillers, nos quais se destacam Se7en e O Silêncio dos Inocentes, mas pouca coisa realmente legal no que diz respeito ao mistério do sobrenatural. O site especializado em bilheterias Box Office Mojo põe A Bruxa de Blair como o segundo filme de "terror sobrenatural" de maior sucesso da década (atrás apenas de O Sexto Sentido, a maior bilheteria da história nesse gênero).
Foi o pri-mei-ro filme de terror que me deu cagaço na minha, digamos, fase pós-infância (na qual It e Brinquedo Assassino me faziam perder o sono à noite). Quando o vi, três anos depois, é claro que já sabia que não se tratava de uma história real, mas na época em que foi lançado nos cinemas, a internet não tinha metade do dinamismo e velocidade de hoje. Exatamente por isso é que os boatos lançados pelos realizadores algum tempo antes da estréia - o que inclui dois documentários bem realistas falando sobre o desaparecimento dos três jovens e sobre a lenda da Bruxa de Burkittsville - demoraram algum tempo até serem desmentidos. Imagine se fosse lançado nos anos setenta, o impacto que teria. Não é difícil imaginar equipes de TV e curiosos indo até a floresta de Black Hills atrás de pistas de Joshua, Michael e Heather.
Com um orçamento de modestos 22 mil dólares, A Bruxa de Blair rendeu mais de 140 milhões só nos Estados Unidos, além de ser o precursor de filmes feitos no estilo "documentário amador", como as franquias [REC] e Atividade Paranormal.
A simplicidade do projeto - (assim como sua execução: foi filmado em apenas oito dias!) - idealizado pelos cineastas novatos Daniel Myrick e Eduardo Sánchez foi tão genial que rendeu ao filme $10.931 dólares pra cada $1 dólar gasto na produção (em bilheteria mundial). Mesmo assim, é injusto subestimar o filme apenas por isso. Pouca gente que o viu se inteirou de toda a mitologia criada por trás dos acontecimentos, fatos relacionados à história da suposta bruxa de Burkittsville e tudo o mais. Os supramencionados documentários estão disponíveis nos extras do DVD. Ainda não saiu em BluRay por aqui.



Anos 2000


Antes de falar sobre o filme mais assustador da década passada, deixe-me fazer uma pergunta: quando você começa a ver um filme erótico/pornô, qual é a sua intenção? Vamos lá, não fique vermelho, qual é? Sentir tesão, certo? E quando vê um filme de comédia, a intenção não é se divertir dando risadas? Então, caro leitor, suponho que sua intenção ao ver um filme de terror seja ficar com assustado... ou será que eu tô errado?
Perguntei isso porque Atividade Paranormal é um típico caso de filme que as pessoas ou amam ou odeiam. Só que, a maioria dessas pessoas que afirmam que o filme de Oren Peli é ruim simplesmente não assistiu ao filme com os pré-requisitos necessários para se cagar de medo vendo algo do gênero. São eles:

1 - Assistir à noite;
2 - Assistir com as luzes apagadas;
3 - Assistir sozinho (de preferência, não apenas sozinho no quarto ou sala, mas sozinho em casa.

Digo isso porque mais de uma pessoa que me disse não ter gostado do primeiro Atividade Paranormal ou assistiu à luz do dia, ou assistiu acompanhado do pai, ou assistiu com tudo quanto é luz da casa acesa. Pô, assim é covardia. Meter o pau em um filme de terror desse jeito fica fácil, né?

Bom, o caso é que EU fiz questão de ver esse filme justamente quando estava sozinho em casa em uma noite de sábado. Apaguei a luz do quarto, meti os fones nos ouvidos e quase comi a tela do notebook. Resultado: o filme me vinha à mente durante algumas noites posteriores, sobretudo na hora de dormir.

Há muito de A Bruxa de Blair em AP. Desde o curtíssimo período de filmagens, passando pelo baixo orçamento (15 mil dólares no caso desse aqui) até o elenco desconhecido. Se as três sequências lançadas não tivessem detonado toda o enredo, Atividade Paranormal poderia tornar-se o único filme de terror totalmente intocável da história - lembrando que quase todos os títulos citados nesta lista têm sequências horríveis. A exceção é, por enquanto, o filme mais recente, que é...


Anos 2010


Invocação do Mal


Lançado há apenas dois meses, The Conjuring já se tornou um clássico do gênero, além de ser um dos melhores filmes do ano e, pelo menos até o momento, o melhor filme de terror da década. Razões, há várias, mas talvez a principal delas seja que Invocação do Mal é supostamente baseado em fatos reais. E, quando digo "baseado", não me refiro a, por exemplo, O Exorcista que, a partir de um fato sobrenatural criou uma história totalmente nova. Não, a verdade é que tanto Ed quanto Lorraine Warren, casal de investigadores paranormais que protagonizam o longa do malaio James Wan, realmente existem. Ed, na verdade, faleceu em 2006, mas sua esposa Lorraine inclusive serviu de consultora dos roteiristas. Além dela, Andrea Perron, moradora da casa original também contribuiu com informações sobre os estranhos eventos ocorridos em uma propriedade em Harrisville, Rhode Island.
Sinceramente, nunca tinha ouvido falar de Ed e Lorraine Warren mas, numa rápida pesquisa se descobre que eles são os dois mais famosos investigadores paranormais da história. Foram eles que investigaram o caso da boneca Anabelle - mostrado no filme - e o ainda mais famoso caso de Amityville.
Quase toda a história de The Conjuring é contada sob o ponto de vista do casal. Segundo Lorraine, o filme é bem fiel à história original, exceto por um ou outro momento que foi incluído por questões "dramáticas", como por exemplo o momento em que a Lorraine do filme cai em um fosso escondido na casa. Mesmo assim, mesmo sabendo que se trata de uma história real supostamente hollywoodizada, portanto, com algum exagero, chega a ser perturbador descobrir que a história real não terminou como o final feliz que o filme mostra.

Brrr...

Um comentário:

lil souto disse...

morro de medo desse gênero, mas seus posts sempre me dão vontade de assistir. acho que tenho que parar de lê-los.
inclusive, tava rolando uma mostra de cinema italiano de terror dos anos 70 no CinUSP esses tempos e não fui por puro cagaço. devia ter te avisado!

ps: backseat. ahahahahahaha