terça-feira, 5 de novembro de 2013

Quatro Estações

Pra quem acompanha este blog - e mesmo para os que me conhecem bem pessoalmente - nunca foi segredo que meu escritor favorito ever é Stephen King. "OK, mas e o Neil Gaiman?" ouço vocês perguntarem. "Certo, certo, Gaiman tambéééém", eu respondo com um pouco de manha na voz, mas King tem certa vantagem simplesmente pelo fato de que conheci seu trabalho um pouco antes de saber quem era o criador de Sandman.

Já tinha algum tempo que eu estava atrás de Quatro Estações, coletânea de contos publicada originalmente pelo cara no início da década de oitenta e que estava difícil pacas encontrar republicações. A Editora Objetiva, que de uns meses para cá tem relançado muita coisa dele - muitas edições de bolso e o "bolso" agradece" - inclusive o fodástico/obra-prima/salve-salve O Cemitério, o qual dei de presente pra um amigo meu no ano passado.

O principal motivo de eu estar quase morto de curiosidade em ler essa coletânea em particular é bem simples: as duas melhores adaptações para o cinema de textos de King, Um Sonho de Liberdade e Conta Comigo (que há tempos merece um post decente aqui) saíram de Quatro Estações. Tanto que, assim que o recebi pelo correio, já comecei a devorar Rita Hayworth e A Redenção de Shawshank, que deu origem ao filme de Frank Darabont em 1994.

Há dois detalhes interessantes nos contos publicados em Quatro Estações: primeiro, eles são bem, digamos, longos pra cacete para serem chamados de "contos", com uma média de quase duzentas páginas para cada um. O próprio King menciona isso no posfácio do livro. No entanto, são curtos demais para serem considerados romances.
Segundo, na coletânea, Stephen King mostra - como se precisasse provar alguma coisa, ora bolas - que não se restringe ao terror... pelo menos não no que se refere ao terror sobrenatural, digamos assim.

Como sugere o título, são quatro histórias, sendo elas:

Primavera Eterna: Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank

Verão da Corrupção: Aluno Inteligente

Outono da Inocência: O Corpo

Inverno no Clube: O Método Respiratório


Como disse antes, ignorei a ordem das "estações" e devorei o primeiro e terceiro contos, por causa dos ótimos filmes baseados neles. E não decepcionei nem um pouco, sobretudo com O Corpo.
Seja como for, demorei algumas semanas pra começar a ler os dois outros. Como no posfácio King dá a entender que O Método Respiratório é o único deles que possui elementos de terror reconhecíveis - estou usando minhas próprias palavras - foi este que me interessou primeiro.
Dos quatro, O Método Respiratório realmente é o que mais pode, digamos, tirar o sono de alguém à noite. Um médico conta a história de sua relação com uma paciente, uma garota solteira prestes a ter seu primeiro filho. O "método respiratório" em questão é indicado pelo médico à garota, que passa a repeti-lo como um mantra. Não quero estragar o final, mas a verdade é que... bom, é foda, simplesmente foda.

No entanto, a grata surpresa de Quatro Estações pra mim foi Aluno Inteligente. O que é irônico, já que depois de ler a curta sinopse desse conto na contracapa ("um jovem adolescente que embarca num duelo entre o bem e o mal ao conhecer um dos torturadores do III Reich") foi o que menos me interessei e, consequentemente, o último que li.

Não arrisco a dizer que seja O melhor conto da coletânea... creio que divide essa honra com O Corpo, mas ambos têm temáticas totalmente diferentes. Enquanto O Corpo fala metaforicamente - ou nem tanto - sobre a transição da infância para a vida adulta, Aluno Inteligente tem a mesma loucura visitada por King em outros dois ótimos contos seus: A Balada do Projétil Flexível (publicado em Tripulação de Esqueletos) e N. (que faz parte do mais recente Ao Cair da Noite).

Aluno Inteligente é daqueles contos que ficam na sua mente mesmo depois de tê-lo terminado de ler. Porra, eu o li na madrugada de domingo pra segunda e meu sono foi perturbado por pesadelos... vários deles... e, tenho certeza absoluta que o culpado disso foi Stephen King... ou teriam sido Todd e o S.r Dussander, protagonistas do conto?

Afinal de contas, como diz a citação que abre o livro, King afirma que "o importante é a história, não o narrador."

Um comentário:

José Antônio (Jam) disse...

Augusto, comprei "Quatro Estações" num sebo virtual, da editora Francisco Alves.Também estou curioso para ler a história que serviu de inspiração para o filme "Um Sonho de Liberdade". Desejo ainda comparar o conto "Aluno Intelgente" com o filme de Bryan Siger: "O Aprendiz", que assisti há algum tempo.
Expectativas ótimas com relação à obra.

Abcs!